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A solidariedade não existe  

A notícia de uma empresa que fechou com ou sem aviso prévio deixou de ser notícia. Saber que de repente, centenas de trabalhadores ficaram do dia para a noite, sem empregos e sem os únicos rendimentos, aqueles que pagam os empréstimos da casa, aquelas coisas comezinhas como comer ou vestir, comprar os medicamentos ou pagar a escola dos filhos, já não chamam a atenção de ninguém, poucos são os que se incomodam a sério, quase ninguém se inquieta, já não suscita raiva, indignação, cólera, já não causa protesto, os fechos das empresas passaram a ser banais e naturais, dizem-nos que agora é assim, que são as dinâmicas da economia, que é assim que as sociedades se desenvolvem e regeneram. O que me incomoda não é que os senhores de barriga cheia nos tentem impingir estas ideias. O que me irrita mesmo é que tenhamos desistido de lutar e sobretudo deixado de ser solidários com o sofrimento dos outros. Somos todos muito egoístas!

Este apontamento serve apenas para mostrar a minha solidariedade com os 32 trabalhadores do Primeiro de Janeiro, despedidos sem uma explicação, um esclarecimento, uma razão, ao mesmo tempo que o seu posto de trabalho era ocupado por outros trabalhadores do grupo, sem mais, sem cuidarem do dever de solidariedade com os seus colegas e camaradas de trabalho e de profissão, mas ao invés mostrarem-se maus companheiros, pessoas falhas de valores, oportunistas, esquecendo-se que o que hoje acontece aos seus colegas, lhes poderá acontecer a eles, num futuro mais próximo ou mais longínquo.

No Esgravetar, Filinto Melo, jornalista do O Primeiro de Janeiro, vai dando-nos conta das reacções e dos andamentos do processo.


Ser solidário-José Mário Branco

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A censura ao Governo está na rua. Juntar as esquerdas é preciso!  

Assisto ao debate da moção de censura do CDS e observo os sorrisos enfastiados e de desdém de Sócrates perante as declarações da esquerda sobre a verdadeira censura ao Governo: as duas centenas de milhares de pessoas em protesto contra o Governo nas ruas de Lisboa.

Sinto-me verdadeiramente enojado. Com um Governo socialista insensível à profunda angústia de muitos milhares de famílias a atravessar sérias dificuldades. E com o conjunto dos deputados socialistas a fingir não ver o protesto dessa imensa massa de gente como um grito amargurado de quem já não pode mais. Confesso-me verdadeiramente revoltado com o espectáculo indecoroso oferecido pela grande maioria de deputados, gente inútil, incompetente ou invertebrada, políticos enfim, de faz de conta, apenas interessados em fazer da carreira política, uma forma de estar oportunista, cuidando apenas dos seus interesses ou dos interesses dos poderosos, a troco de qualquer coisa que há-de vir.

Mais do que nunca torna-se necessária uma recomposição do campo da esquerda. Torna-se necessário fazer profundas rupturas democráticas de esquerda em todo o campo socialista. A começar pelos socialistas de esquerda do PS cortando de vez com o partido.

O Manuel Alegre pelo que representa, o Bloco de Esquerda porque está na sua génese constitutiva, os renovadores comunistas pela disponibilidade já demonstrada, mais os sem partido de esquerda e os militantes do PCP interessados, cabe o papel principal e insubstituível de dar força a um agrupamento das esquerdas plurais, de que o comício-festa de Lisboa foi um saudável começo

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A Estrada Nacional 13 vai entupir este Sábado.  

(imagem do percurso "alternativo" pelo interior da Póvoa do Varzim)

Mais de 60 mil pessoas subscreveram o abaixo-assinado contra a introdução de portagens nas SCUT’S do Norte Litoral, Costa da Prata e Grande Porto.

Agora falta o resto; a luta das populações, a única forma de impedir a concretização desta medida. As populações foram enganadas. O PS nas eleições declarou-se contra estas portagens e o Governo disse que não haveria portagens enquanto cumulativamente não estivessem ultrapassados as seguintes condicionantes nas zonas atravessadas pelas SCUT’S:
a) o baixo produto interno bruto -um grau de riqueza baixo,
b) os baixos índices de poder de compra,
c) a inexistência de alternativas ou havendo um percurso alternativo que não tenha um tempo superior a um terço da via rodoviária principal.
Ora nenhum destes pressupostos está cumprido apesar do Governo, habilmente, ter alterado os critérios de desenvolvimento económico, de modo a valorizar estatisticamente o que na realidade concreta não aconteceu; a melhoria da riqueza e do poder de compra na maioria dessas regiões.

E quanto às alternativas continua tudo na mesma; não existem. E mesmo que por hipótese absurda se considerasse a EN13 como alternativa, o critério do tempo ultrapassa largamente um terço do tempo da A28. Conforme cronometragem feita no anterior protesto, para uma viagem de 30 a 40 minutos na A28 entre Viana do Castelo e o Porto na EN13 serão necessárias mais de 2 horas e meia.

(tabela de tempos medidas em dois períodos pela A28 e pela EN 13)

Assim continuam válidos todos argumentos para a não introdução das portagens e que foram bandeira de todos os partidos políticos nas últimas eleições legislativas:
a) como forma de aproximar as regiões, a cultura e as pessoas, nas zonas mais desfavorecidas,
b) para dar fôlego à actividade económica,
c) como resposta à falta de alternativas de transportes credíveis e em razoável estado rodoviário.
No dia 24 de Maio vamos pois todos para a rua: de carro, camião, moto, ou qualquer outro veículo motorizado. A partir das 14h30 em Viana do Castelo, Esposende, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Aveiro, Gaia, Maia e outras localidades, partiremos todos em direcção ao Porto pela EN 13 para dar força a esta luta. Vai ser uma grande jornada!

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Ficou vermelha a campina  



Catarina Eufémia (13 de Fevereiro de 1928 - 19 de Maio de 1954)

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O 1º de Maio é vermelho!  


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Fazer do medo-força e da força-coragem.  

O Daniel diz que tem medo. Medo de andar na rua, medo de ser espancado e de lhe “arrancarem a cabeça”. O Daniel de Oliveira tem medo de Mário Machado e seus seguidores, do Portugal Hammerskins, um grupo fascista que promove a violência, o ódio racista, a xenofobia, a homofobia.

O Daniel Oliveira tem razões para ter medo. Mas os homens inteiros, dignos, conseguem fazer da fraqueza-força e da força-coragem. E por isso Daniel apesar do medo não se coibe nem coibiu de exercer um dever cívico. Denunciar as ameaças. Primeiro na Polícia, agora no Tribunal. E disse o que pensava. O que todos pensamos e nos vai faltando a coragem : que o Mário Machado é um líder fascista e um homem perigoso. Um delinquente. Um desequilibrado. Uma pessoa com um historial de “agressões a outras pessoas e que foi condenado pela participação activa ou passiva, no homicídio do emigrante cabo-verdiano Alcino Monteiro no Bairro Alto” (DN de hoje).

Neste momento 36 elementos desta seita nazi, estão a ser julgados por ameaças à integridade física, por agressões, extorsão e posse de armas e segundo os relatos da imprensa parecem estar muitos divertidos, talvez pensando que os seus métodos terroristas, assustem o poder político e judicial. A ver vamos! A minha solidariedade ao Daniel Oliveira.

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O futuro!  

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.

José Carlos Ary dos Santos




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Pedro Jorge: A liberdade defende-se exercendo-a!  

É operário electricista, dirigente sindical e militante comunista e interveio no Prós e Contras de 28 de Janeiro. Em palavras simples, despidas de estereótipos, pôs a nu a hipocrisia dos discursos políticos dos governantes e a mediocridade dos nossos empresários.

Em paga, por exercer o direito de livre expressão, tem um processo às costas visando o seu despedimento. Estamos no bom caminho!



(vídeo da Secção de Informação e Propaganda do PCP da O.R. de Lisboa, via 5 dias)

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A luta dos professores (II)  

Mais de cem mil professores na rua não podem significar outra coisa, em primeiro lugar, que não seja uma profunda insatisfação e raiva com a Ministra da Educação. A grande conclusão a retirar depois desta e das anteriores grandes manifestações de rua de trabalhadores e dos protestos das populações contra o fecho das urgências e dos serviços de atendimento permanente, é que os portugueses não estão a gostar de ser governados com tamanha arrogância e tanta insensibilidade social. Embora isto não chegue para acabar com as habituais “alternâncias governativas” entre o PS e o PSD, espera-se que pelo menos sirvam para acabar com as malfadadas maiorias absolutas

O protesto dos professores tem razões de ser. Os professores não são os maus da fita do sistema de ensino como a ministra, em tempo e subliminarmente, tentou fazer passar e que mereceu de resto a justa indignação dos professores, a que nem as desdobradas justificações de última hora da ministra a uma diligente e generosa comunicação social, conseguiu dar a volta e apagar da memória de todos nós, as desastradas e chocantes afirmações feitas anteriormente sobre os professores.

Querer responsabilizar os professores pelo estado actual de ensino é desonesto. Os professores não podem conviver com as culpas todas. Aos professores não podem assacar culpas que são de todos: da sociedade, do sistema, dos pais, dos alunos e principalmente dos responsáveis pela governação em Portugal. Se um aluno reprova, se um aluno não vai à escola, se a escola não dá saídas profissionais, se os responsáveis não investem a sério na educação, a culpa não é dos professores. A ministra teve esse condão: de fazer crer, instalando a dúvida nos próprios que a culpa é deles e só deles. Os professores têm razões para demonstrar na rua a sua insatisfação e raiva pela ministra.

De resto mantenho o que disse. Todos os agentes educativos devem ser avaliados: as escolas, os professores, os alunos, os dirigentes. Defendo como princípio que o aluno não deva ser retido na sua progressão escolar. Isto não quer dizer que se deva instalar o laxismo ou a irresponsabilidade. Quer dizer que a escola, o professor, o sistema, devem fazer tudo, para que o aluno consiga atingir os objectivos mínimos. E o professor, o dirigente escolar, a escola, deverão justificar muito bem o fracasso de um insucesso escolar. É isto que devia estar em causa neste debate: como defender melhor a escola pública inclusiva, responsável e competente? E isso por si só fundamenta a avaliação da escola e dos professores: o que fazem todos para que o sucesso ou insucesso escolar aconteça.

Por exemplo, perante um aluno problemático a escola terá de premunir-se de uma estrutura de compensação que repare as dificuldades e não renunciar, retardando ou abandonando os alunos à sua sorte. É isto que deve fazer a diferença na escola pública. A escola pública é a escola de todos. Também de alunos com mais problemas ou mais dificuldades. Está na altura de colocar os focos nos alunos.

Infelizmente as coisas não têm sido assim por manifesta incompetência e arrogância da ministra e por isso, e só por isso, é que tenho defendido a sua demissão … para apaziguar os ânimos e centrar a discussão, sem ruído e sem interferências alheias e desproporcionadas, no plano do que interessa discutir; o conteúdo efectivo da reforma educativa.

Por fim, não poderia de deixar de insistir, tenho sérias dúvidas do que move verdadeiramente a maioria dos professores: se é o direito à indignação, compreendo-os e acompanho-os. Se é a defesa de interesses pessoais e corporativistas, compreendo-os, mas não contem comigo. Se é a defesa da escola pública, estou de corpo e alma com eles. Mas, como disse tenho as minhas perplexidades. E confesso que me desgostou ouvir professores presumidos, referirem que nunca antes participaram numa manifestação de rua, como se em trinta anos de democracia, nunca tivesse havido um momento para um protesto ou uma celebração. Ou que “dirigentes” associativos tivessem mentido publicamente e com toda a desfaçatez. Ou ainda alguns não tivessem sido capazes de dizer porque estão numa manifestação ou o que realmente os inquieta nas reformas que estão a ser levadas a cabo.


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A luta dos professores  

Os professores estão na rua em protesto contra a Ministra, mas também contra as reformas educativas, mormente o sistema (ou os conteúdos) de avaliação dos professores, o regime de autonomia e gestão das escolas e a nova prova de ingresso na carreira. Contudo, visto de fora, o que parece fundamentalmente motivar os professores é a defesa do seus interesses corporativos e não a luta por uma escola pública exigente, responsável e competente, o que sendo legítimo, não encontram eco, na maioria das pessoas e em particular de outros agentes educativos, nomeadamente os alunos e as associações de pais.

Pessoalmente compreendo o melindre e a indignação dos professores com a Ministra. As suas declarações sobre os professores foram injustas genericamente e reveladoras de uma total inabilidade e de senso comum. Creio mesmo que a sua demissão é o único caminho para apaziguar os ânimos e colocar a discussão no plano dos conteúdos da reforma. Ao contrário, portanto do que defendem alguns sectores políticos, o que neste momento está mesmo em causa, não são as políticas, mas sim a Ministra …para se poder discutirem as políticas de educação.

Os professores estão na rua mas não vibro com as manifestações dos professores (em Viana do Castelo estiveram mais de 3000 professores na rua o que é estrondoso), apesar da justeza de algumas reivindicações. Infelizmente os professores (a maioria), enfim, para não destoar, tal como as outras classes sócio-profissionais, estão apenas interessadas nos seus problemas. Nada a fazer. São os nossos egoísmos!

O que me interessa é a defesa da escola pública e não me parece que seja isso que está em causa ou que seja por isso que os professores lutam. Uma escola pública de sucesso requer professores motivados, competentes e bons profissionais. Requer boas instalações, bons programas, uma estabilidade pessoal e profissional. Requer uma escola popular e integradora, equipamentos adequados, professores dedicados e a tempo inteiro, requer uma gestão democrática e aberta, mas também requer o controle e uma avaliação democrática do exercício e dos resultados da escola, dos gestores, dos professores, dos alunos, do pessoal auxiliar, em que todos são avaliados, uns pelos outros e entre eles, também.

Como que a confirmar que não é a defesa da escola pública ou a gestão democrática das escolas que estão em causa, aí está o encontro do Presidente do PSD Luís Filipe Meneses com a Fenprof e a presença na manifestação do próximo sábado, em Lisboa. O PCP e o Bloco, como sempre, apoiam sem reservas todas as manifestações o que por si não tem nada de mal, mas preferia que fossem mais claros nas razões dos apoios.

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Que CGTP?  

Entre hoje e amanhã decorre o XI congresso da CGTP. Deixo este registo: há mais de trinta anos, em 1975, os sindicatos apresentaram propostas alternativas às “oficiais”, fizeram reuniões com os trabalhadores para discutir as teses, discutir os estatutos e para eleger os delegados ao congresso. Foi um congresso amplamente participado e democrático. Eu estive lá. Foi o primeiro congresso de todos os sindicatos. Hoje as coisas estão diferentes e piores, no tocante à participação, à discussão e à democracia sindical. A grande maioria dos sindicatos está tomada pelos burocratas e por funcionários sindicais. Depois das hesitações iniciais, o PCP, jogou pelo seguro neste congresso. Não adiantava forçar a nota e afastar, desde já, Carvalho da Silva, conforme o desejo dos mais ortodoxos. Afinal Carvalho da Silva está a um prazo de 4 anos. Como estará a CGTP de hoje, apesar de tudo. Com a saída de Carvalho da Silva, líder carismático e referência das sensibilidades internas, o PCP vai reforçar ainda mais o controlo da CGTP, para o combate político, segundo as conveniências partidárias. É aí que está o mal. Nas conveniências partidárias… não, no combate político. Sendo assim, é melhor começar a pensar em alternativas …fora da CGTP. Como antes foi fora da UGT. Por muito que custe. Talvez seja o tempo de uma Carta Aberta. Não para criar uma nova UGT, mas para marcar posições e apontar caminhos. Depois logo se vê. Os sindicatos independentes têm a palavra. Carvalho da Silva também. E o PCP claro!

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Não chores, Chora!  

Aproxima-se o XI congresso sindical da GCTP com os vícios do costume. Enfim, do mal o menos, vale a continuidade de Carvalho da Silva, para dar alguma credibilidade à coisa e as garantias mínimas de que a CGTP, ainda que não conseguindo abrir-se o suficiente a outras sensibilidades e a novas formas de encarar a organização e as lutas, nestes novos tempos de globalização, também não será, a reserva exclusiva, para a luta política, sobre um calendário partidário, à revelia de processos democráticos e transparentes, que envolvam os trabalhadores na discussão e decisão colectivas.

Este Congresso repete-se nos processos de discussão e nos métodos de participação. O quer dizer que não há discussão, nem eleição de delegados, decorrendo tudo, nos gabinetes e nos encontros sindicais, onde “democraticamente” tudo está decidido, sem nenhuma participação dos associados.

Há muitos anos, no primeiro congresso de todos os sindicatos, em que participei, foi tudo, mas mesmo tudo, muito diferente, pelo que se pode dizer, sem perigo de ser desmentido que, em algumas coisas, o movimento sindical, não parou no tempo, mas sim que recuou onde não podia recuar… na democracia sindical. Nessa altura, como delegado sindical e membro da comissão preparatório do Congresso do meu sindicato, participei em dezenas e dezenas de plenários de trabalhadores, onde se discutiam teses, estatutos, eleição de delegados, em alternativa. Agora tudo se passa nos gabinetes sindicais com os dirigentes sindicais a aprovar os documentos e a nomear os congressistas, seguindo-se ou não (creio que sim – se bem me lembro do último Congresso) um plenário dos sindicatos, sob o escrutínio das Uniões Sindicais.

Esta forma de funcionamento não é inocente. Os responsáveis são, por um lado, todos os dirigentes sindicais que não desenvolvem, internamente, processos de decisão democrática, transparente e participativa (apenas depende da vontade dos próprios), e sobretudo, pelo predomínio que detêm nas estruturas, são aqueles dirigentes, que se comportam como meras “correias de transmissão” do PCP, usando a maior e mais importante Central Sindical, como trincheira para o combate político partidário, sem cuidar dos danos ao próprio movimento sindical, que deve ser unitário e plural, para um mais eficaz combate sindical e político. As vozes minoritárias de dirigentes da CGTP, clamam por mais abertura, mais democracia, criticam estatutos “blindados”; que impedem a democracia sindical, a participação dos associados e a expressão de posições contrárias. Criticam o PCP de limitar a representação de outras sensibilidades e partidarizar o movimento sindical.

O sindicalismo não existe em Portugal. O que existem são muitos sindicatos e muitos dirigentes e delegados sindicais, na sua grande maioria, “profissionalizados”. E com pouca vontade de voltar ao local de trabalho. O mundo do trabalho com a globalização, a forte concorrência empresarial, a introdução das novas tecnologias, estimulou a individualidade em vez do colectivo, a competição em vez da solidariedade, criou uma nova classe de trabalhadores, com mais formação e mais qualificações, mas simultaneamente, mais desprotegidos no emprego e nos direitos sociais.



Ontem, os problemas eram os salários, a segurança no trabalho, as condições sociais, uma carreira profissional, hoje os problemas são a precariedade, o trabalho intermitente, o espectro dos despedimentos. Enquanto não entenderem estas realidades que implicam novas formas de organização, novos modos de funcionamento, outras formas de luta, os novos trabalhadores não se sindicalizam e os antigos tendem a abandonar os sindicatos.



O exemplo da Auto-Europa foi uma pedrada no charco no formato habitual das negociações, mas alvo de criticas ácidas dos burocratas sindicais, por aceitarem perder dias de trabalho, congelamento salariais e objectivos de produtividade, em troca da garantia de emprego e outros pressupostos que com a melhoria da situação financeira da empresa, se reverteram em maiores benefícios. Já os 1200 trabalhadores da Opel da Azambuja, numa situação análoga, depois de empurrados para greves sem saída, quando quiseram fazer marcha-atrás, já era tarde, a empresa deslocalizou-se, para Espanha e os trabalhadores perderam o emprego. Os representantes dos trabalhadores, também.

E aqui chegados vamos ao que me serviu de pretexto para este artigo. A recusa do Sindicato dos Metalúrgicos (PCP) de indicar António Chora, na lista candidata ao Conselho Nacional da CGTP, apesar de proposto por delegados sindicais e pela Comissão de Trabalhadores, sabendo-se que a Auto-Europa, representa 20% dos trabalhadores filiados no sindicato.

Na verdade não é o António Chora, presidente da CT da Auto-Europa, que se está a vetar. Também não é o militante do Bloco de Esquerda. Ou o deputado em situações de substituição. Não! O que se está a vetar é o António Chora que negociou um acordo favorável aos trabalhadores, em desalinho com modelos inconsequentes e desajustados que arrastam derrotas e desesperanças nos trabalhadores. São destas coisas que se deveriam discutir no Congresso da CGTP.

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PT desloca serviços para a Índia colocando problemas de emprego em Portugal  

A Comissão de Trabalhadores em comunicado aos trabalhadores, denuncia que a Portugal Telecom se prepara para transferir serviços para a Índia, para onde teria já enviado trabalhadores para dar formação e implementar os serviços, depois de há uns anos atrás ter feito o mesmo mas para Cabo Verde, acrescentando que se sente já o efeito dessas medidas com trabalhadores praticamente sem serviço.

A CT está ainda preocupada com o impacto da reestruturação em curso na PT, levada a cabo por Consultores “mais ou menos conhecidos” que se propõem extinguir empresas e serviços que antes criaram, voltando aparentemente ao modelo anterior, depois de esbanjarem “largos milhões de euros” ao longos de anos, ao mesmo tempo que o reingresso dos trabalhadores que tinham sido cedidos a outras empresas do grupo, está a ser dificultado e a serem “pressionados” a rescindir o contrato de trabalho.

Depois de largas centenas de trabalhadores, com mais de cinquenta anos de idade, nos últimos dois anos, terem sido aliciados a “suspenderem o contrato de trabalho”, deixando liberto o posto de trabalho, com consequências ao nível dos actuais e principalmente dos futuros salários, estas medidas estão agora a ser alargadas a “centenas” de quadros superiores e executivos, por constituírem um encargo elevado para a empresa, num momento em que a empresa, “contrata agora estagiários com o 12º ano a 500 euros (sem direito a subsídio de refeição) e licenciados a cerca de 600 euros. Em nome da socrassanta, “ redução de custos” e adequação dos “efectivos às necessidades do serviço”, a CT afirma que está a ser posta em causa a qualidade de serviço e os postos de trabalho, e que continua a saga de entrega de trabalhos a empresas exteriores, abafando o aproveitamento de um saber acumulado de muitos trabalhadores altamente especializados.

Outra acusação grave é a de que com estas medidas se está a esvaziar as funções sociais da empresa com a sociedade em geral e com os trabalhadores em particular, que estão consagradas em decreto-lei.

Quando é conhecido as benesses com que se abotoam os altos responsáveis da Empresa para os trabalhadores é o espectro dos despedimentos que é acenado para suprir as “alegadas” dificuldades, por manifesta incompetência dos responsáveis ao longo da última década, não obstante os lucros exorbitantes que ano após ano se vão mantendo.

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Nem que a voz lhe doa  



Notável entrevista a Judite de Sousa. De vez em quando aparecem homens assim. Os meus agradecimentos.

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Sócrates é um fraco  

Que nos importa que Correia de Campos (que estava a ser um excelente ministro e a levar as reformas "necessárias" no Sistema Nacional de Saúde, segundo o próprio e Sócrates), tenha saído do governo? Absolutamente nada se continuarem as mesmas políticas.

Esta saída (por iniciativa do ministro ou de Sócrates) apenas vem evidenciar que Sócrates cede aos protestos de rua, às criticas da oposição, à pressão da imprensa e que não é assim tão determinado ao ponto de arriscar perder as próximas eleições, como por aí se afirma.

Mesmo que estas medidas não sejam mais que marketing político... do mais baixo, já se vê.

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