O Benfica em construção
O Benfica evidenciou ontem, com clareza, uma das fraquezas do seu conjunto: falta-lhe no meio-campo um jogador que pense o jogo nas manobras ofensivas. Um jogador com uma ampla visão periférica e um profundo conhecedor do modelo de jogo da equipa e das movimentações dos companheiros na transição ofensiva. Um jogador com uma capacidade e inteligência técnica que desequilibre quando as linhas de passe estão fechadas Um jogador que jogue de cabeça levantada: que não precisa de olhar para a bola para a receber ou passar aos companheiros. Um jogador que empreste ritmo e velocidade ao jogo.
Não tendo esse jogador - com Carlos Martins a servir de recurso, perante equipas que se fecham muito atrás, as transições ofensivas, tornam-se pastosas, previsíveis, sem chama, sem ritmo, sem clarividência, pelo que caberá aos atacantes, a responsabilidade de se desposicionarem, saírem das marcações cerradas, para permitir as entradas de trás, especialmente nas laterais, com Leo e Nelson (apostaria mais neste jogador) e tentar aproveitar uns rasgos individuais de algumas das suas individualidades, mais em tabelinhas e desmarcações rápidas, por parte de Aimar, do Reyes e do Leo ou através dos desequilíbrios individuais do Di Maria. O Cardozo estará lá para as sobras se a bola lhe chegar ao pé esquerdo. O Nuno Gomes será sempre uma alternativa a ter em conta, para fazer o lugar de Aimar, com o recuo deste para o meio-campo. Mais que um ponta de lança, parece-me a mim, falta ao Benfica um organizador de jogo, tipo Rui Costa.
Com equipas mais fortes, o Benfica parece-me mais equilibrado, porque a dinâmica do jogo é mais colectiva. Mas há ainda muito campeonato pela frente e a ver vamos como reage o conjunto e os adeptos a uma nova filosofia do jogo e a uma equipa em construção. Desta vez, se tudo correr bem, estarei no próximo fim de semana a assistir ao jogo contra o F.C do Porto, fazendo a minha estreia em jogos no novo Estádio da Luz.










