O Benfica em construção  

O Benfica evidenciou ontem, com clareza, uma das fraquezas do seu conjunto: falta-lhe no meio-campo um jogador que pense o jogo nas manobras ofensivas. Um jogador com uma ampla visão periférica e um profundo conhecedor do modelo de jogo da equipa e das movimentações dos companheiros na transição ofensiva. Um jogador com uma capacidade e inteligência técnica que desequilibre quando as linhas de passe estão fechadas Um jogador que jogue de cabeça levantada: que não precisa de olhar para a bola para a receber ou passar aos companheiros. Um jogador que empreste ritmo e velocidade ao jogo.

Não tendo esse jogador - com Carlos Martins a servir de recurso, perante equipas que se fecham muito atrás, as transições ofensivas, tornam-se pastosas, previsíveis, sem chama, sem ritmo, sem clarividência, pelo que caberá aos atacantes, a responsabilidade de se desposicionarem, saírem das marcações cerradas, para permitir as entradas de trás, especialmente nas laterais, com Leo e Nelson (apostaria mais neste jogador) e tentar aproveitar uns rasgos individuais de algumas das suas individualidades, mais em tabelinhas e desmarcações rápidas, por parte de Aimar, do Reyes e do Leo ou através dos desequilíbrios individuais do Di Maria. O Cardozo estará lá para as sobras se a bola lhe chegar ao pé esquerdo. O Nuno Gomes será sempre uma alternativa a ter em conta, para fazer o lugar de Aimar, com o recuo deste para o meio-campo. Mais que um ponta de lança, parece-me a mim, falta ao Benfica um organizador de jogo, tipo Rui Costa.

Com equipas mais fortes, o Benfica parece-me mais equilibrado, porque a dinâmica do jogo é mais colectiva. Mas há ainda muito campeonato pela frente e a ver vamos como reage o conjunto e os adeptos a uma nova filosofia do jogo e a uma equipa em construção. Desta vez, se tudo correr bem, estarei no próximo fim de semana a assistir ao jogo contra o F.C do Porto, fazendo a minha estreia em jogos no novo Estádio da Luz.


2 comentários

  • Jofre de Lima Monteiro Alves  
    26 de agosto de 2008 às 16:52

    A presente reconstrução do plantel do Benfica, sob o ponto de vista táctico, tem três equívocos:
    1 – A colocação de Katsouranis a defesa-central, na medida em que os demais trincos (Rubem Amorim, Yebda, Binya, Felipe Bastos) não têm a mesma valia e capacidade construtiva de jogo;
    2 – A colocação de Rubem Amorim a extremo-esquerdo, posição para a qual não está fadado, na medida em que não tem velocidade e é incapaz de cruzar de modo cabal – e a alternativa Balboa é um fiasco;
    3 – A colocação de Pablo Aimar como avançado e ponta-de-lança liquida o rendimento do jogador, que até foi apresentado como sendo “número 10” e agora não joga nessa posição.
    Talvez mais um ano de sofrimento, com treinador novo, director desportivo novo, onze novas aquisições – 32 no total desta e da época passada, para já! –, e sessenta milhões em aquisições em dois anos!
    Um abraço minhoto!

  • Fernando  
    26 de agosto de 2008 às 22:34

    1 - concordo. mas que alternativa? David Luís depois de uma longa paragem naõ me parece que vá regressar em condições de dar o seu contributo tão cedo. O Sidnei não parece ter convencido. Nessa circunstância Katsouranis acaba por ser a menos má das soluções a defesa central. Creio que o Yebda cumpre bem o seu papel no meio-campo como elemento mais defensivo.
    2 - Rubem de Amorim nunca poderá fazer aquele lugar como extremo e Balboa ainda não mostrou nada. Creio que as alas vão ser entregues a Di Maria e Reyes.
    3 - Não sei bem qual a melhor posição de Pablo Aimar, embora não pareça um típico nº 10 ao estilo de um Rui Costa, um Deco ou um Lucho. O que me parece é que ele como 2º ponta de lança, precisa recuar mais no terreno, não em linha com o Cardoso mas logo imediatamente atrás, como primeiro ponto de apoio na ligação meio-campo-ataque.

    Essa é a grande verdade, em dois anos, muito dinheiro gasto em aquisições, muitas aquisições e parece que se continua a não acertar nas pedras certas para os lugares certos. Parece-me contudo que ao nível da organização e do modelo do jogo os jogadores sabem o que estão a fazer lá dentro, ao contrário do ano passado que era uma anarquia táctica completa.

    Um abraço!

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