Portugal está a tornar-se um país perigoso?  

A criminalidade, pequena, média ou violenta, é notícia todos os dias na imprensa nacional, jornais, rádios e televisões. Depois são as conversas de café, os fóruns nas rádios e televisões, a direita a reclamar mais policiamento e mão dura, exigindo a demissão do ministro, os partidos da esquerda sem saberem muito bem o que dizerem, por não poderem ignorar os efeitos, mas prisioneiros de pressupostos e preconceitos ideológicos...

Pela minha parte, sinceramente e sem nenhuma explicação razoável, penso eu, não consigo ter os sentidos atentos, a este tipo de notícias, como não tenho, aliás, para as notícias dos acidentes, ou de outras desgraças do mesmo género. Desligo tão completa, automática e inconscientemente ao ponto de, quando as atenções voltam, não saber se estou a ouvir falar de novos crimes, novos assaltos, outras mortes, ou se estão a repetir, pela enésima vez as mesmas notícias, uma característica muito peculiar das nossas televisões, como é sabido.

Depois vêm os dados mais ou menos estatísticos e mais ou menos contraditórios e ainda os palpites:

a) Portugal é o 2º país da Europa e 7º no mundo com mais polícias por mil habitantes. E um dos mais seguros.
b) Segundo o Observatório de Segurança a criminalidade organizada e profissional está a aumentar e veio para ficar.
c) O responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança diz que "não lhe parece" que a criminalidade esteja a aumentar mas apenas o relevo mediático é que é maior.

Não sabemos bem, todos, como estamos. Pela parte que me toca não entro em paranóia. Sou dos que pensam que, sem descuidar dos problemas de segurança, continuamos a ser um país seguro e de baixa criminalidade. O problema, não são como a direita reclama, um estado mais policial e mais duro com todos o tipo de crimes. O que não nos faltam são polícias e leis pesadas. Mas talvez nos falte (e nisto o Governo têm grandes responsabilidades) são polícias melhor formados, mais bem equipados e mais perto dos acontecimentos. E sobretudo sobra-nos muito alarido.


5 comentários

  • O Raio  
    28 de agosto de 2008 às 23:53

    Há uma diferença entre a percepção do crime (dada geralmente pela Comunicação Social) e o crime em si.

    Não sei se o crime tem aumentado. Acho que não pois, se tivesse, as estatísticas já teriam sido publicadas.

    Esta "onda" de crime deve estar a servir para atacar o Governo e, simultaneamente aumentar as leis repressivas.

  • Anónimo  
    5 de setembro de 2008 às 14:18

    O que vai para aqui.. Portugal PURO E DURO!

    Mário Crespo:
    O infinito disparate do tribunal de Loures de tratar da mesma maneira o militar da GNR que tentava deter um grupo de assaltantes e os próprios assaltantes ilustra o maior problema de Portugal nesta fase da sua vida democrática.Se juízes e procuradores em Loures não conseguem distinguir entre crime e ordem mantendo as suas decisões num limbo palavroso de incoerências politicamente correctas e medos de existir, nada nos defende da desordem. A disléxica significância actual do estatuto de 'arguido' que permite na mesma penada dar rótulos idênticos a criminosos e agentes da ordem pública é um absurdo em qualquer norma civilizada.Esta justiça, ou ausência dela, faz de Portugal um país perigoso para se viver em 2008. O militar da GNR chamado para restabelecer a ordem e o 'pai' foragido da prisão que levou o filho num assalto não podem ser tratados da mesma maneira por um justiça que meramente cumpre rituais de burocracia. A cegueira da crise na justiça está a originar que a mensagem pública que surge destas decisões agudize a sensação de insegurança e fragilize a capacidade do Estado de manter a ordem pública.Chegou a altura de retirar a venda da justiça em Portugal para ela ver para onde está a levar o país, aplicada como tem sido num sinistro cocktail de sabores do PREC, heranças do totalitarismo, inseguranças políticas, ambiguidades e ignorâncias cobertas por mantos diáfanos de academia-faz-de-conta.Nesta rapsódia de dissonâncias que é a interpretação apriorística e receosa de normas mal definidas, mantém-se sem conclusão o julgamento da Casa Pia que nestes anos todos perdeu qualquer hipótese de juízo sério. Não se consegue entregar Esmeralda a quem lhe garanta a infância normal a que tem direito porque Esmeralda teve o azar de nascer num país onde o Direito não é normal. Caímos no ridículo internacional com a instrução desastrada e provinciana do caso McCann onde tudo falhou. Da letra da lei, à sua interpretação, à sua aplicação. E agora em Loures diz-se ao país que é a mesma coisa tentar manter a ordem em condições extremas e levar um filho num assalto depois de se ter fugido da prisão. É tudo arguido com a mesma medida de coação.O que a Judicatura e a Procuradoria de Loures mostraram ao País não foi que a justiça é cega. Foi a cegueira da justiça em Portugal. Disseram que é a mesma coisa ser-se um cidadão militar agente da lei e um foragido apanhado em flagrante, armado com calibres letais e disfarçado com identidades falseadas.A continuar assim teremos que bramir armas em público como os mais fundamentalistas intérpretes da Constituição americana dizem que podem. E temos que ir dormir a condomínios privados porque a cidade e as zonas rurais estão a saque dos grupos que nomadizam armados à espera de uma aberta, e nós teremos que nos defender.Precisamos de procuradores capazes, juízes justos e de um ministro da Justiça que consiga administrar os meios do Estado. Obviamente não os temos no actual quadro do funcionalismo público. Por favor subcontratem. Estrangeiros mesmo, que os há muito bons, porque a coisa aqui está preta.

  • Fernando  
    5 de setembro de 2008 às 17:41

    O Mário Crespo está Xexé. Muito pior que eu!

  • Anónimo  
    5 de setembro de 2008 às 20:21

    Xéxé? Talvez!
    Mas atenção cego não é o que não pode ver, cego é aquele que não quer ver.

    Xéxé

  • Fernando  
    6 de setembro de 2008 às 17:59

    Caro anónimo: Xexé é uma forma de expressão. eu também disse que estava embora menos que o Mário Crespo ...mas se calhar até estou mais.

    De há uns tempos que não venho concordando com o Mário Crespo e disso já dei conta aqui em vários casos que não adianta agora retomar

    Eu não concordo com os alarmismos de M.Crespo e sobre o foco principal do artigo acho que o estatuto de igualdade de arguido entre o cigano e o polícia está certo (e mais julgo que assentaria até melhor ao polícia que dispara sobre um carro em movimento de qualquer maneira, por causa de um pequeno crime (e que por acaso até mata uma pessoa) - e não é nenhum preconceito contra a polícia, até porque tenho um filho GNR (com quem aliás conversei sobre o assunto).

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