Ainda sobre a Carolina Michael  

Uma pequena nota inserta na reportagem do DN de hoje, na Escola secundária Carolina Michael pode explicar, em parte, a histeria e a investida corporal da aluna contra a professora, para readquirir o telemóvel: alegadamente o equipamento conteria coisas “íntimas”, evidenciando igualmente um “relacionamento” que a aluna, legitimamente, pretendia resguardar do conhecimento geral.

É mais uma acha para tentar compreender o sucedido: a aluna, sem consciência política plena, certamente, acaba por forçar o exercício de um direito -o da reserva da sua intimidade, da sua privacidade e também o da propriedade privada, vejam lá!.. Quando a professa intenta sair da sala de aula, com o telemóvel na mão, na imaginação da miúda, a professora estaria a violentar os seus direitos individuais, aspectos muito sensíveis nestas idades, de afirmação da personalidade, mas sobretudo de grande confusão sobre os conceitos dos direitos e deveres.

Termino insistindo. Este é um caso que não prova coisa nenhuma. Sucedeu apenas um caso de irreverência e grosseria de uma aluna de 15 anos; uma resposta equívoca da professora; e uma reacção de alunos típica das “multidões”, enfim …própria das idades. Mas também de adultos, em muitas circunstâncias. Agora e no passado.

Deste caso apenas mais três notas: 1) a maioria dos pais, demitiram-se de educar os filhos, “comprando “os afectos com coisas materiais e remeteram para a escola a responsabilidade de os educar 2) os professores tal como outros noutras profissões, que trabalham com “públicos”, precisam de formação específica, por exemplo, na área da gestão de conflitos e de relacionamentos com alunos, para melhor compreender, identificar e actuar com diferentes perfis psicológicos, 3) a Escola deve ser muito clara no tocante às regras e procedimentos disciplinares, logo no início do período escolar.


1 comentários

  • Helena  
    26 de março de 2008 às 12:20

    Ser pai como ser professor, educar nossos filhos o os filhos dos outros, não é simples por vezes. Temos de saber agir e reagir conforme a situação...depois em casa como na escola o na empresa onde trabalhamos tem de haver regras e essas são para ser cumpridas.
    Actualmente tenho minha filha em plena crise d'ado, e falando disso a minha volta, recebo ajuda para a ajudar.
    Não sei se os pais se demitiram de educação dos seus filhos o se é a sociedade onde vivemos que faz que seja assim; sempre assim foi, nem todas as crianças são iguais, ha sempre aquela um pouco mais rebelde, que esta contra tudo...
    Tem de haver de tudo Fernando, se todos forem bém educadinhos, imagina como isto seria monotono.

    Um grande beijo para ti..
    que criança fostes tu ?

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