O valor da palavra dada.  

"é o sentido mais profundo da responsabilidade em política que está em causa: saber se um político deve ser um matreiro que, uma vez no poder, exerce em função do seu benefício próprio ou do seu partido, ou se, pelo contrário, o compromisso é uma responsabilidade irrecusável perante os eleitores”.



O parlamento discute hoje uma moção de censura ao Governo do Bloco de Esquerda. O pretexto é o incumprimento da promessa eleitoral e do programa do Governo, de realização de um referendo ao tratado europeu.

Esta moção não vai fazer cair o Governo. O PS tem a maioria absoluta. Mas vai ter os votos favoráveis do PCP e dos Verdes. Está bem assim. O PS o PSD e o CDS não votam a favor porque, de uma maneira ou outra, sabem, por experiência própria, o que é faltar à palavra. Eles também já foram Governo.

As palavras lá em cima de Francisco Louçã reflectem o que o Bloco pretende com esta iniciativa: qual o valor da palavra dada dos políticos e dos partidos? Fez bem o Bloco em apresentar esta moção. Hoje não se deve avaliar as medidas do Governo. As propostas económicas ou sociais do Governos ou dos diferentes partidos. Todas as propostas são legítimas se forem sufragadas. Se forem apresentadas aos portugueses com verdade para eles decidirem em consciência.

Espero assim que o Governo (e também o PSD) seja confrontado com as mentiras das promessas. De todas e não apenas a do referendo ao tratado. Que sejam confrontados com a aldrabice que lhes permite ganhar eleições. Espero que seja mostrado a falta de credibilidade e honradez desses partidos e dos seus responsáveis. E espero que os portugueses aprendam a não confiar em políticos e partidos aldrabões. Em nome da credibilidade do sistema político. Como refere ainda Francisco Louçã: quando se trata de diminuir a democracia o PS e o PSD aparecem sempre lado a lado.

O valor da palavra é que está hoje em jogo no parlamento. Longe vão os tempos em que um simples aperto de mão era a garantia do compromisso, do negócio, da lealdade.


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