"políticos anfíbios"  

De há muito que é uma prática corrente a ocupação de lugares de responsabilidade de direcção, em empresas públicas ou privadas, por via da carreira política, alcançada nos partidos do Bloco Central.

Ser político, com poder concreto ou potencial ou então com influência no meio, sabemos todos, sempre abriu portas a muita gente: fosse para conseguir um emprego, alcançar um lugar de chefia, ou ocupar outro lugar de relevo no sector público.

De há uns tempos para cá surgiu um novo tipo de políticos: o político anfíbio nas palavras de Louçã. Um político que depois de ser ministro e continuando a ter actividade política, passado poucos anos é o presidente ou administrador de empresas, com quem antes negociava em nome do Estado. São muitos os casos, lembro-me de Pina Moura, Fernando Gomes, Ferreira de Amaral, António Mexia, Luís Todo-Bom, Vitalino Canas e agora Jorge Coelho, entre tantos outros.

Denunciar esta espécie de concubinato entre responsáveis políticos e governativos e os grandes grupos económicos, esta promiscuidade entre funções públicas e privadas, para os políticos habituados a este forrobodó, é uma indignidade, um atirar de lama, fere a honradez pessoal. Nada de mais falso.

Denunciar, debater, rebater, questionar, discutir a ética política, são exercícios de uma cidadania responsável e exigente. Os portugueses precisam de conhecer os seus representantes políticos. Que valores prezam. Que interesses defendem. O que fazem os políticos com os seus votos.

A ruidosa e indignada reacção de Sócrates e da bancada do PS foi uma defesa corporativa dos amigos e de uma classe política mal habituada a uma democracia de exigência e rigor com os responsáveis políticos.

Jorge Coelho pode ser muito honesto, tal como os outros … mas em nome da transparência, da responsabilidade política, de uma ética de rigor, estas atitudes não os dignificam, dão azo a todas as especulações, diminuem a democracia e descredibilizam os políticos. Como afirmou o ex-ministro João Cravinho: “é uma vergonha! Não é aceitável este conúbio entre público e privado.”

Não se livram da suspeita de serem de facto uns políticos anfíbios!


(a partir dos 3,30 minutos)


2 comentários

  • Helena  
    12 de abril de 2008 às 18:29

    Ola Fernando !
    Não te vou falar de politica, sabes que não é a minha área...
    Te deixo o que segue, resuma um pouco o que penso :

    Homen errante
    vagabundando
    pelo este mundo
    procurando paz e serenidade
    encontrando miséria e falsidade
    pelo este mundo fora
    gerido pelo homens a lucro
    sacrificando a vida
    sobre nossa linda planeta
    homen errante
    procurando a liberdade
    sentes te mais prisioneiro
    do que nunca
    pelo estes homens gerindo
    este mundo
    que te querem calar
    tu homen errante
    gritando tua indignidade.

    Um beijo grande

  • Fernando  
    12 de abril de 2008 às 19:24

    Olá Helena. Tu podes não perceber desta política mas tens uma experiência de vida que te faz perceber porque certas coisas acontecem. O poema é lindo! Obrigado.

    Outra coisa: só hoje li o teu mail porque tenho problemas no PC e no portátil não tenho instalado o Outlook. Para a semana eu ajudo-te a personalizar o blogue. Desculpa-me.

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