Preciso de acreditar  

Retiraram direitos aos trabalhadores, precarizaram mais o emprego, congelaram vencimentos, diminuíram salários reais, cresceu o desemprego, aumentou o tempo de trabalho, baixaram as comparticipações em actos médicos e em medicamentos aos mais idosos, baixaram os valores das reformas, dos subsídios de desemprego, aumentaram os impostos, as taxas moderadoras, as propinas, os combustíveis, os transportes, as rendas de casa, fecharam-se escolas, cantinas, hospitais, maternidades, aumentou o fosso entre ricos e pobres e a miséria e a fome está presente em muitas famílias...


Foi com estas palavras que em fins de Dezembro iniciei um artigo no Foice dos Dedos para dar conta dos custos sociais das políticas de um Governo, em tudo rigorosamente ao contrário do prometido em campanha eleitoral e que fez o PS ganhar as eleições, depois do desastre da governação do PSD/CDS.

Mentiu portanto o Governo do Partido Socialista.

Três anos depois o Governo quer fazer-nos crer que estamos a caminho do "país das maravilhas" depois de controlado o défice das contas públicas. Mas como afirmou Louçã num comício em Santa Maria da Feira, o défice social continua: é o desemprego, a precariedade, as pensões baixas, os problemas na Saúde e na Educação. Tudo isto é défice!

Mas o que me despertou a atenção foi uma frase no discurso de Louçã: "O Bloco está pronto para toda a responsabilidade". Ora esta frase precisava de ser descodificada. Significará que o Bloco está finalmente a assumir-se como um partido de poder? Ou estamos apenas perante uma operação de charme ao eleitorado socialista? Ou será que estará a dizer à esquerda toda que é tempo de abandonar grupismos e preconceitos e avançar para convergências concretas ? Muitas perguntas poderiam ser feitas. O que me parece é que esquerda não se pode ficar pelas afirmações bombásticas se quer ter a credibilidade suficiente para se constituir como uma alternativa séria. Há que avançar com propostas concretas!


4 comentários

  • Marreta  
    3 de abril de 2008 às 11:24

    Esse tem sido precisamente o calcanhar de aquiles dos partidos de esquerda, a desunião e a falta de convergência em momentos políticos chave, com conhecidos aproveitamentos da direita e centro que sempre souberam dar o nó de forma a alcançar os poleiros tão desejados.
    Enquanto continuarem de costas voltadas, vai beneficiando o centro-direita e vai perdendo o povo, que cada vez mais vai sendo espoliado de conquistas importantes feitas com muitas lutas.
    Pelo andar da carruagem, e se o processo não se inverter rapidamente, as lutas laborais recomeçarão como se tivéssemos regredido até ao princípio do século XX.
    Saudações do Marreta.

  • Fernando  
    4 de abril de 2008 às 11:18

    perfeitamente de acordo, Marreta. Mas parece-me que os partidos da esquerda estão também mais interessados em servir as suas "pequenas clientelas do que avançar para processos de convergência efectivas, para além dos discursos. Não é um processo fácil mas seria preciso confrontar todas as forças de esquerda com as suas próprias palavras de "unidade" e de convergência.

  • josé manuel faria  
    4 de abril de 2008 às 22:22

    Propostas concretas e protagonistas para as mesmas. Porque não um governo sombra.

  • Fernando  
    5 de abril de 2008 às 12:24

    Em minha opinião o Bloco devia tomar a iniciativa de promover reuniões formais com o PC, os Renovadores, movimentos, associações e activistas de esquerda, a ala Alegrista também, para discutirem possíveis convergências eleitorais e não só. Para sabermos todos quem apenas usa as palavras unidade e convergência como marketing político.

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