A requalificação das urgências  

Dou razão à nova Ministra da Saúde. O problema principal não é a reforma da saúde, em particular a requalificação das urgências, mas sim o encerramento sem que as alternativas previstas estejam a funcionar. Também concordo que ter alternativas consistentes passa por ter uma rede de médicos de família a funcionar em pleno e por consultas médicas em tempo útil, mais do que ter urgências e serviços de atendimento permanente, sem condições e sem recursos técnicos e humanos, a funcionar as vinte e quatro horas.

Sem médicos de família ou frequentemente incontactáveis, com consultas médicas demoradas, os doentes, especialmente os idosos, precisam de recorrer às urgências, mesmo para doenças leves ou pequenos acidentes. E sem resolverem estes problemas nada a fazer. A ida às urgências, são a solução de recurso, à falta de um conforto psicológico que apenas um médico, nestas circunstâncias, é capaz de oferecer.

O primeiro passo, portanto, é resolver estes dois problemas: médicos de família para todos e permanentemente contactáveis e consultas mais rápidas.

Quanto ao resto nada a opor. A criação das urgências primárias e das urgências centrais, desde que bem equipadas e com um corpo clínico adequado, são uma boa solução, para as situações de menor ou maior gravidade, a par das VMER (viaturas médicas de emergência e reanimação) em quantidade suficiente, para acorrer à simultaneidade de situações, cumprindo o lema de levar “a urgência às pessoas” e não as “pessoas às urgências”, em todos os serviços de urgência, para diminuir os tempos e a eficácia da resposta.

Por fim, não posso de chamar a atenção para o descaramento de Sócrates, ao afirmar que a partir de agora, não vai encerrar mais nenhuma urgência, enquanto a alternativa, não estiver a funcionar, querendo fugir às suas e intransferíveis responsabilidades, para o estado de caos em que colocou o sistema de saúde.

Mas é claro que escusamos de estar descansados. O Governo está apenas a fazer maquilhagem, para calar o descontentamento e tudo vai continuar na mesma, porque o objectivo não é a defesa do Serviço Nacional de Saúde, nos moldes em que está inscrito na Constituição Portuguesa, mas servir os interesses das seguradores e dos grandes grupos económicos que aliás se preparam já para abrirem hospitais, onde estão a ser encerrados, servidos de urgência e instalações hospitalares.


1 comentários

  • Helena  
    31 de janeiro de 2008 às 21:49

    Encerrar mais urgências sem ter outras alternativas fica impossivel em Portugal. Agora é como dizes, é preciso ter a possibilidade de ter consulta o mais rapidemente possivel com seu médico de familia.

    Depois também acho que o estado havia de meter tabelas no preço dos especialistas. Ontem meu pai foi a um médico da pele, levou 90 euros...como é possivel ? Não teem vergonha de pedir tanto para uma consulta a uma pessoa com uma pequena reforma.

    Ha muito a fazer a esse nivel em Portugal..

    Um beijinho

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